Eu o vi surgindo
Veio de tão longe
E eu pude senti-lo
A brisa que tocava seus cabelos
O sol que iluminava seu olhar
Instinto livre
Alma completa
Senti tanta paz
Finalmente pude fechar os olhos e me entregar
Já não havia medo, não havia dor
Eu já não sabia que hora os ponteiros do relógio acusavam
Eu somente senti
Eu apenas olhei
Não precisei dizer
Não precisei fingir
Não podia ser tão real
Não podia existir algo assim
Ilusões de minha mente fértil?
Reflexo do que eu sonhei?
A paz só me inundava mais
Como um rio correndo dentro de mim
E eu apenas deixei, eu não lutei
Qual a verdade agora?
Onde está o engano?
Onde a ilusão mistura-se com a realidade
Os sonhos transformam-se em verdade
A vida revela sua magia
Olhei para o horizonte
Soube que a tormenta já havia passado
Meus pensamentos novamente organizados
Ou totalmente embaralhados
Quanto mais me acho, mais me perco
Acordo pra um novo dia
Onde não há o que temer
Deixo a tristeza escorrer
Por debaixo da porta ela se vai
Com cicatrizes do passado que não terei mais de cuidar
Hoje sei onde me encontrar, me revelar, me deixar amar
By: Elaine Paulino
A escuridão novamente cai
A noite grita
E meus ouvidos não querem mais escutar
Está tudo tão longe
As dores, os amores, as lembranças
Até onde posso tocar?
Posso chagar até seu coração?
Posso lhe pedir que seja pra sempre?
Não! Eu nunca pude
Não! Eu nunca tive
Palavras que o vento levou
Pessoas que minha mente gravou
Onde estão? Podem me ouvir agora?
O que levaram? O que deixaram?
Cidade tola e cheia
Rodeada de incertezas
Me traz pessoas, as leva
Toda dor da saudade me partindo
Sim, estou ao meio
Porque estão longe?
Rostos que não poderei ver
Olhares que não poderei trocar
Toda preocupação me invadindo
Estou vivendo ou estou partindo?
E sou tão feliz, à sorrir como menina
E sou tão triste, desesperando-me por sentir-me mulher
Ouçam meus gritos
Sim, são uivos
Arranquem o coração
Numa única expressão
Não podes me encontrar
Não podes me sentir
Então deixe-me partir
Eu vou viver
E não mais esquecer
Eu vou torcer
Pela felicidade tão esperada
Vou agonizar calada
Sua dor fez-se minha
Não existe mais passado, nem presente, nem futuro
Apenas um ser tentando esquecer esse mundo
By: Elaine Paulino
Não quero beijos roubados
Nem mesmo implorados
Quero entrega, quero um todo
Quero sussurros de acordo
Não quero beijar uma imagem
Quero beijar uma alma
Quero tocar a essência
Com apenas um olhar
Simplesmente admirar
Não quero acreditar no que vejo
Quero viver o que sinto
E ver em outrem
Minha imagem sem engano
Oh quanto padeço esperando
Quero o beijo que aguardei uma vida
Quero o olhar que desnude
Que invada os pensamentos
Que encontre as virtudes
Quero beijos que o vento não leve
Que a chuva não aplaque
Quero beijos de sol
Pra derreter todo medo
Quero beijos de lua
Pra desvendar todos os segredos
Quero beijos do campo
Que corram livres e contentes
Quero beijos de mar
Que me arrastem para o fundo de meus desejos
Quero mais que tudo
Olhar, sentir, tocar, beijar
A inteligência, a sensibilidade, a essência, a liberdade
A vida vivida por outro
Encaixando-se na minha
Como fortes traços
De uma mesma linha
By: Elaine Paulino
Um lobo sonha
Um lobo luta
Um lobo conquista
Um lobo é solitário por opção
Um lobo não pode ser domesticado
É selvagem e livre por natureza
Todas as noites que se passaram
E ela continuou uivando
Tão agudo, alto e profundo
Um uivo de rendição
Aprendeu a caçar com sua própria força
A se livrar das armadilhas do ser humano cruel
Aprendeu a compartilhar quando passou por diversas matilhas
Aprendeu a respeitar seu inimigo, mas nunca fugir de uma luta
Decidiu viver só
Seguiu seu caminho pelas florestas escuras
E correu
Aprendeu a não se esconder
E mostrando seus dentes afiados adquiriu respeito
Acostumou-se a calar e apenas seguir seus instintos
E novamente uivar quando necessário
Tanta tempestade suportou
Ergueu seus olhos e se apaixonou pela lua que também vivia sozinha
Presenciou muitas alvoradas
Subira nas mais altas montanhas
Habitou em cavernas
Derrotou o medo
Fez-se forte quando era fraca
Apenas aceitou sua natureza
Pois assim iria viver
Para sempre
Sem nunca se entregar
Não se pode entender um lobo, a menos que seja um
Nos longínquos caminhos até o monte
No silêncio brando da alvorada
Nos ventos impetuosos antes da tempestade
Nas gotas de chuva que percorrem a face
Cada despedida que me vale um reencontro
Agarro-me em quem tú és
Para esquecer-me de quem sou
Deixo a noite cair sobre nós
Para que torne as palavras num encantamento eterno
Não jures ó querido, não prometas
Nem mesmo seja meu, como espero que sejas
Viva, como o sol que perdura
Corra, como os lobos selvagens
Só não vá para tão longe
Deixe que meus pensamentos consigam lhe alcançar
Permita-me viver a imaginar onde andarás
Calo-me com apenas o pouco que podes me dar
Achei-te perdido nos meus sonhos
Lutando para não mais sonhar
Achei-te escondido em meu sorriso
Impedindo as lágrimas do meu ser dominar
Não lhe prometo o eterno
Mas garanto-lhe o perfeito
Encontrei-lhe em meio aos meus pedaços
Sim, encontre-lhe dentro de mim
By: Elaine Paulino
Ouve-se um tanger
Que ecoa pela vasta cidade
Aninha-se embaixo dos carros
Chega aos mais altos edifícios
- Seja a forma mais nítida da perfeição
- Seja a primeira flor a se abrir
- Seja o olhar de compaixão, mas vista-se do manto da justiça
- Não sejas impassível aos horrores
Lágrimas escorrem em sua face
Gritos que não pode ignorar
Sua face nua
Agora arde com o fogo da verdade
Em um segundo
A voz muda de lugar
Rondando-a num indo e vindo infinito
Quando começa a ecoar em bom som
- Esqueça teus mais preciosos bens
- O que queres além dos prazeres reais?
- Que fazes de tua curta vida?
- Viva agora e faça o que queres
Quem há que poderá cala-los?
Gritos ensurdecedores e mortais
Cortam sua pele atingindo sua alma
Arranca-lhe a paz
Sua consciência lhe diz
Pra onde deves seguir
As vezes pretendes não ouvir
E o grito perfura suas armaduras
Um grito de desespero
Onde reinam a confusão e a indecisão
Não podes negar quem é
Apenas podes escolher a qual grito queres obedecer.
By: Elaine Paulino
A vida renova-se dentro de seus instrumentos viventes
Uma nova manhã vem surgindo
A pequena menina deixa de observar pela janela
E mergulha no mar de acontecimentos
As pinturas ganham movimentos
Os personagens trocam de cenário
E lhes é inserida uma imagem real
Olhem, a vida surgindo
Finalmente a menina pode senti-la e não apenas vê-la
Ela protagoniza a grande história
Ela sente o chão sob seus pés
E as emoções que lhe afloram;
Ouvindo um solo bem tocado
Encontra-se ao perder-se
Sente as forças voltarem
Como um vento impetuoso
Entende que esse era o chamado para acordar
A pequena menina pode ser vista
E olhando em seu espelho
Orgulha-se da nova imagem que se reflete.