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domingo, 4 de abril de 2010

A Paz que inunda


Eu o vi surgindo
Veio de tão longe
E eu pude senti-lo

A brisa que tocava seus cabelos
O sol que iluminava seu olhar
Instinto livre
Alma completa

Senti tanta paz
Finalmente pude fechar os olhos e me entregar
Já não havia medo, não havia dor
Eu já não sabia que hora os ponteiros do relógio acusavam

Eu somente senti
Eu apenas olhei
Não precisei dizer
Não precisei fingir

Não podia ser tão real
Não podia existir algo assim
Ilusões de minha mente fértil?
Reflexo do que eu sonhei?

A paz só me inundava mais
Como um rio correndo dentro de mim
E eu apenas deixei, eu não lutei

Qual a verdade agora?
Onde está o engano?
Onde a ilusão mistura-se com a realidade
Os sonhos transformam-se em verdade
A vida revela sua magia

Olhei para o horizonte
Soube que a tormenta já havia passado
Meus pensamentos novamente organizados
Ou totalmente embaralhados

Quanto mais me acho, mais me perco
Acordo pra um novo dia
Onde não há o que temer
Deixo a tristeza escorrer
Por debaixo da porta ela se vai
Com cicatrizes do passado que não terei mais de cuidar
Hoje sei onde me encontrar, me revelar, me deixar amar


By: Elaine Paulino

segunda-feira, 29 de março de 2010

Escuridão


A escuridão novamente cai
A noite grita
E meus ouvidos não querem mais escutar
Está tudo tão longe
As dores, os amores, as lembranças

Até onde posso tocar?
Posso chagar até seu coração?
Posso lhe pedir que seja pra sempre?
Não! Eu nunca pude
Não! Eu nunca tive

Palavras que o vento levou
Pessoas que minha mente gravou
Onde estão? Podem me ouvir agora?
O que levaram? O que deixaram?

Cidade tola e cheia
Rodeada de incertezas
Me traz pessoas, as leva
Toda dor da saudade me partindo

Sim, estou ao meio
Porque estão longe?
Rostos que não poderei ver
Olhares que não poderei trocar

Toda preocupação me invadindo
Estou vivendo ou estou partindo?
E sou tão feliz, à sorrir como menina
E sou tão triste, desesperando-me por sentir-me mulher

Ouçam meus gritos
Sim, são uivos
Arranquem o coração
Numa única expressão

Não podes me encontrar
Não podes me sentir
Então deixe-me partir
Eu vou viver
E não mais esquecer

Eu vou torcer
Pela felicidade tão esperada
Vou agonizar calada
Sua dor fez-se minha
Não existe mais passado, nem presente, nem futuro
Apenas um ser tentando esquecer esse mundo


By: Elaine Paulino

Beijos


Não quero beijos roubados
Nem mesmo implorados
Quero entrega, quero um todo
Quero sussurros de acordo

Não quero beijar uma imagem
Quero beijar uma alma
Quero tocar a essência
Com apenas um olhar
Simplesmente admirar

Não quero acreditar no que vejo
Quero viver o que sinto
E ver em outrem
Minha imagem sem engano
Oh quanto padeço esperando

Quero o beijo que aguardei uma vida
Quero o olhar que desnude
Que invada os pensamentos
Que encontre as virtudes

Quero beijos que o vento não leve
Que a chuva não aplaque

Quero beijos de sol
Pra derreter todo medo

Quero beijos de lua
Pra desvendar todos os segredos

Quero beijos do campo
Que corram livres e contentes

Quero beijos de mar
Que me arrastem para o fundo de meus desejos

Quero mais que tudo
Olhar, sentir, tocar, beijar
A inteligência, a sensibilidade, a essência, a liberdade

A vida vivida por outro
Encaixando-se na minha
Como fortes traços
De uma mesma linha



By: Elaine Paulino

domingo, 28 de março de 2010

She Wolf


Um lobo sonha
Um lobo luta
Um lobo conquista

Um lobo é solitário por opção
Um lobo não pode ser domesticado
É selvagem e livre por natureza

Todas as noites que se passaram
E ela continuou uivando
Tão agudo, alto e profundo
Um uivo de rendição
Aprendeu a caçar com sua própria força
A se livrar das armadilhas do ser humano cruel
Aprendeu a compartilhar quando passou por diversas matilhas
Aprendeu a respeitar seu inimigo, mas nunca fugir de uma luta
Decidiu viver só
Seguiu seu caminho pelas florestas escuras
E correu
Aprendeu a não se esconder
E mostrando seus dentes afiados adquiriu respeito
Acostumou-se a calar e apenas seguir seus instintos
E novamente uivar quando necessário
Tanta tempestade suportou
Ergueu seus olhos e se apaixonou pela lua que também vivia sozinha
Presenciou muitas alvoradas
Subira nas mais altas montanhas
Habitou em cavernas
Derrotou o medo
Fez-se forte quando era fraca
Apenas aceitou sua natureza
Pois assim iria viver
Para sempre
Sem nunca se entregar

Não se pode entender um lobo, a menos que seja um

sábado, 27 de março de 2010

Onde foi que lhe encontrei?


Nos longínquos caminhos até o monte
No silêncio brando da alvorada
Nos ventos impetuosos antes da tempestade
Nas gotas de chuva que percorrem a face

Cada despedida que me vale um reencontro
Agarro-me em quem tú és
Para esquecer-me de quem sou
Deixo a noite cair sobre nós
Para que torne as palavras num encantamento eterno

Não jures ó querido, não prometas
Nem mesmo seja meu, como espero que sejas
Viva, como o sol que perdura
Corra, como os lobos selvagens

Só não vá para tão longe
Deixe que meus pensamentos consigam lhe alcançar
Permita-me viver a imaginar onde andarás
Calo-me com apenas o pouco que podes me dar

Achei-te perdido nos meus sonhos
Lutando para não mais sonhar
Achei-te escondido em meu sorriso
Impedindo as lágrimas do meu ser dominar

Não lhe prometo o eterno
Mas garanto-lhe o perfeito
Encontrei-lhe em meio aos meus pedaços
Sim, encontre-lhe dentro de mim


By: Elaine Paulino

quinta-feira, 25 de março de 2010

O Grito


Ouve-se um tanger
Que ecoa pela vasta cidade
Aninha-se embaixo dos carros
Chega aos mais altos edifícios

- Seja a forma mais nítida da perfeição
- Seja a primeira flor a se abrir
- Seja o olhar de compaixão, mas vista-se do manto da justiça
- Não sejas impassível aos horrores

Lágrimas escorrem em sua face
Gritos que não pode ignorar
Sua face nua
Agora arde com o fogo da verdade

Em um segundo
A voz muda de lugar
Rondando-a num indo e vindo infinito
Quando começa a ecoar em bom som

- Esqueça teus mais preciosos bens
- O que queres além dos prazeres reais?
- Que fazes de tua curta vida?
- Viva agora e faça o que queres

Quem há que poderá cala-los?
Gritos ensurdecedores e mortais
Cortam sua pele atingindo sua alma
Arranca-lhe a paz

Sua consciência lhe diz
Pra onde deves seguir
As vezes pretendes não ouvir
E o grito perfura suas armaduras

Um grito de desespero
Onde reinam a confusão e a indecisão
Não podes negar quem é
Apenas podes escolher a qual grito queres obedecer.


By: Elaine Paulino

segunda-feira, 22 de março de 2010

Pequena Menina


A vida renova-se dentro de seus instrumentos viventes
Uma nova manhã vem surgindo
A pequena menina deixa de observar pela janela
E mergulha no mar de acontecimentos

As pinturas ganham movimentos
Os personagens trocam de cenário
E lhes é inserida uma imagem real

Olhem, a vida surgindo
Finalmente a menina pode senti-la e não apenas vê-la
Ela protagoniza a grande história

Ela sente o chão sob seus pés
E as emoções que lhe afloram;
Ouvindo um solo bem tocado
Encontra-se ao perder-se

Sente as forças voltarem
Como um vento impetuoso
Entende que esse era o chamado para acordar

A pequena menina pode ser vista
E olhando em seu espelho
Orgulha-se da nova imagem que se reflete.