Não posso defini-lo É como tentar definir a grandeza do sol Ou o esplendor da lua Como tentar contar as estrelas do céu Ou as lágrimas que derramaste em uma vida
Não posso evitar a dor ao partir É como morrer lentamente Passo a passo, rumo ao abismo
Quando se tem vontade de ficar Mas precisa ir Deixar os caminhos abertos Para que o outro seja feliz Quando existe outro em seu lugar Onde você deveria estar
O uivo que reflete a agonia A dor que rasga o peito Nem mesmo fecho os olhos quando me deito O medo de vê-lo invade Tem que acabar agora, não deixarei pra mais tarde
E andando pelas ruas o vejo Aumentando meu desejo De estar ao seu lado Mesmo que seja por um minuto calado
Isso está rasgando meu coração Nunca foi tão escura a solidão Minhas lágrimas já não são o bastante Pra aplacar tanta dor
Você é igual a mim Como me faz sofrer tanto assim? Você disse que ficaria tudo bem Então onde você está?
Não vejo mais o futuro Não vejo mais nada Apenas agonizo calada Uivando de dor Com a alma despedaçada
A hipocrisia humana que enoja Disfarces mal feitos Máscaras incoerentes Julgando a aparência Escondendo-se embaixo de suas capas limpas Por dentro está a podridão Como podem endurecer tanto o coração? Juízes de suas próprias causas Tolos, julgam em vão Fazem suas leis E até tentam te convencer Para perder sua vez Palavras bonitas e cultas Mentiras ocultas Sendo sempre o centro das atenções O homem, que ignora as emoções Falsidade, onde está a verdade? Mostrar para outros que pode Impondo suas vontades Vivendo achando que tem muito Na verdade não tem nada Vazios Não enxergam além do que seus olhos vêem Do que suas maldades contêm Ouçam os gritos dos que sofrem Surdos, só ouvem sua própria voz São melhores do que nós Quem vai mudar esse mundo? Atitudes apregoadas em um submundo Sigam-me e vejam a porta Esqueça quem te acusou Você não está sozinho Nesse longo caminho Onde os homens pensam reinar Você pode acreditar Existe algo além Na minha bagagem levo a confiança Minha esperança Soando alto Minha voz que ecoa Enquanto o tempo voa Poderosos, quem poderá deter o tempo? Invejosos, quem se fará como o outro em um momento? Quem deterá o sol em seu furor? Não sabem o que é o amor Por isso canto, grito, explodo Por isso ignoro pedradas Levanto meus olhos e sigo pegadas E eu vejo além E meu canto vai longe também Voar apenas voar Longe da hipocrisia Onde preciso estar
Saudade dos velhos amigos Costumes antigos, que nunca esqueci Saudade dos velhos amores E das belas flores, que não recebi Saudade de ser uma criança E da esperança, com que eu cresci Mas não sinto saudade das velhas dores E de penar horrores, quando permiti
E me perco Nessas lembranças De todas as danças, que eu perdi Nos olhares desencontrados Escassos, cansados, não os recebi E nas várias palavras que eu reprimi
Pássaro que vai e não volta E quem é que se importa Com as voltas que a vida dá? Sempre procurando um ninho Seguindo sozinho Tristonho a cantar
Lembra dos tempos de outrora Quando em uma só hora Desatinou a chorar E assim mesmo Não perdeu o desejo De um lar encontrar
Pobre passarinho Não sabe que apenas sozinho Pode continuar Levando as suas lembranças Saudades e esperanças De quem foi e jamais voltará.